AS DUAS CADEIRAS VAZIAS DE COPACABANA: o que Michelle e Malafaia não te contaram sobre o “não” que deram a Flávio Bolsonaro

Tem silêncio que grita mais que discurso de palanque. E em Copacabana, no domingo de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, dois silêncios chamaram mais atenção do que qualquer microfone ligado: a ausência de Michelle Bolsonaro e a ausência do pastor Silas Malafaia. Parece detalhe. Não é!
Flávio subiu ao trio elétrico cercado de aliados de peso: o presidente estadual do PL no Rio, o candidato ao governo fluminense, os candidatos ao Senado, o líder da bancada na Câmara, até o presidente nacional do partido. Faltavam, porém, os dois nomes que mais mobilizam o eleitorado mais fiel da direita: a mulher que o próprio Jair Bolsonaro sempre tratou como sua herdeira política e o pastor que comanda parte relevante do voto evangélico conservador do país.
Erro de agenda? Coincidência de datas? Quem acompanha de perto sabe que não é bem assim.
O segredo por trás da ausência de Michelle
Aliados dizem que Flávio e Michelle “fizeram as pazes” depois de meses de desgaste — o senador chegou a se desculpar publicamente com a ex-primeira-dama em vídeo. Mas Michelle, hoje candidata ao Senado pelo Distrito Federal, tem evitado se afastar por muito tempo do marido, que segue em prisão domiciliar e proibido de receber visitas. Uma rotina de proteção à família que fala mais alto que qualquer palanque de domingo.
Fica a pergunta que a militância sussurra nos grupos de WhatsApp: é só isso mesmo? Ou o racha dentro do bolsonarismo, que já colocou Michelle como opção de vice numa chapa concorrente à do enteado, ainda não foi totalmente costurado?
Malafaia e a autoridade que não compareceu
Já o caso Malafaia é ainda mais revelador. O pastor, uma das vozes mais influentes da direita evangélica, também não apareceu — mandou apenas uma mensagem de áudio aos presentes. Em entrevista, ele justificou dizendo que “não tem vínculo direto com o PL, sendo apenas apoiador, e reforçou que apoia Flávio”.
Em entrevista, ele minimizou a ausência, dizendo que não tem vínculo formal com o PL, apenas apoia Flávio de fora, e prometeu gravar um vídeo em breve para “esclarecer” sua posição sobre a candidatura.
Mas quem lembra da trajetória do pastor sabe que essa história tem camadas. Malafaia defendeu publicamente, por meses, uma chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas com Michelle na vice — e só recuou depois que o nome do governador de São Paulo saiu de cena. A adesão a Flávio veio depois, e não sem ressalvas sobre a viabilidade eleitoral do senador.
A transformação que incomoda o bolsonarismo
O que era, até pouco tempo, um movimento que se orgulhava da unidade em torno do nome Bolsonaro, hoje mostra rachaduras que ficam mais visíveis a cada semana que passa. E a proximidade da eleição não perdoa: cada ausência, cada recado nas entrelinhas, vira munição tanto para adversários quanto para quem, dentro da própria direita, ainda sonha com um nome alternativo.
Urgência: o relógio não para
Faltam poucas semanas até o horário eleitoral tomar conta da TV e do rádio, e Flávio Bolsonaro sabe que não pode se dar ao luxo de seguir enfrentando esse tipo de ruído. Cada cadeira vazia em um ato de lançamento é, para o adversário, uma foto perfeita. Para o eleitor mais fiel, é um alerta: a base precisa de fato se unir, ou o preço será alto em outubro.
O Caixeta News vai continuar de olho em cada capítulo dessa novela que decide o futuro da direita brasileira.