Há dez meses o STF funciona incompleto — e o motivo por trás disso é maior do que parece

Tem detalhe de Brasília que passa batido de tão repetido nos bastidores, mas que devia estar na boca de qualquer família que se preocupa com o rumo do país. O Supremo Tribunal Federal está funcionando com dez ministros, não onze, desde que o ministro Luís Roberto Barroso anunciou aposentadoria antecipada em outubro do ano passado. E essa cadeira vazia guarda uma história que muita gente esqueceu de contar direito.
Será?? “mais uma indicação recusada”
Em abril, o Senado fez algo que não acontecia havia 132 anos — desde 1894, ainda no início da República: rejeitou, em votação de plenário, o nome escolhido pelo presidente da República para o STF. O indicado era o advogado-geral da União, Jorge Messias, homem de confiança de Lula. Resultado: 42 votos contra, 34 a favor. Derrota histórica, sem precedentes em mais de um século de democracia.
Chamar isso de “só mais um episódio de Brasília” é subestimar o tamanho do recado que o Congresso deu.
O segredo que ficou nos bastidores da votação
Nos corredores do Senado, o que se conta é que o presidente Davi Alcolumbre queria outro nome na cadeira — o senador Rodrigo Pacheco — e ficou incomodado quando Lula seguiu direto com Messias, sem sequer receber o indicado no tradicional cafezinho de apresentação que antecede as sabatinas. Foi esse desgaste, mais do que qualquer debate técnico sobre o currículo do indicado, que ajudou a selar a derrota.
Depois da rejeição, senadores foram além: pediram, nos bastidores, que Alcolumbre segurasse qualquer nova indicação de Lula por pelo menos seis meses — e o próprio presidente do Senado chegou a sinalizar que pretende deixar essa vaga para quem for eleito em outubro.
Isso não é picuinha entre políticos. Um STF funcionando com um ministro a menos enfrenta mais risco de empate em julgamentos importantes e sobrecarrega quem já está na Corte, segundo consultores do próprio Senado. E o tamanho da disputa por essa cadeira cresce quando se olha o calendário: Luiz Fux se aposenta em 2028, Cármen Lúcia em 2029, Gilmar Mendes em 2030. Ou seja, quem assumir a Presidência em janeiro de 2027 pode ter nas mãos a indicação de até quatro dos onze ministros do Supremo — poder que atravessa mandatos e reformula o tribunal por uma geração.
Reparem no tamanho do que está em disputa: se a vaga realmente ficar para quem vencer a eleição de outubro, o resultado das urnas vai decidir não só quem governa o país pelos próximos quatro anos, mas também que tipo de Supremo o Brasil vai ter na próxima década. Governo e oposição sabem disso — e é exatamente por isso que a queda de braço em torno dessa cadeira vazia não vai esfriar tão cedo.
A urgência do relógio institucional
Enquanto a política decide quem manda nessa negociação, o Judiciário segue funcionando capenga, com menos gente pra dar conta de um volume de processos que já é gigantesco em circunstâncias normais. Cada mês de indefinição é um mês a mais de sobrecarga pros ministros que restaram — e de incerteza pra quem depende de decisões do STF pra resolver sua vida.
A pergunta que fica
Se o resultado de outubro pode significar até quatro nomes novos no Supremo, quantos brasileiros estão votando pra presidente pensando também nisso? Ou a maioria só vai descobrir o tamanho dessa conta depois que a eleição já tiver terminado?
E você: acha que o próximo presidente deveria mesmo escolher quem senta nessa cadeira, ou isso deveria passar por um processo menos ligado a quem está no poder no momento? Comenta aqui embaixo — o Caixeta News quer ler sua opinião.