24 CADEIRAS. UM CAMPO ABERTO. E A DIREITA AINDA SEM NOME
Tem algo que ninguém está dizendo em voz alta nos bastidores da política do Distrito Federal — mas que quem conhece o jogo sabe de cor: a direita conservadora de Brasília vai chegar em outubro de 2026 com votos suficientes para dominar a Câmara Legislativa. O problema é que ainda não sabe com quem.
São 24 cadeiras. Vinte e quatro oportunidades de colocar na Casa que legisla sobre a vida de mais de três milhões de pessoas alguém que acredita de verdade em família, trabalho, liberdade e menos Estado. E o campo conservador, até aqui, segue olhando para o próprio umbigo.
Esse é o segredo que ninguém quer admitir.
O erro que se repete como tradição
Existe um padrão nas eleições distritais que já virou quase uma maldição da direita brasiliense. O eleitorado conservador — que é maioria no DF, que elegeu Ibaneis duas vezes, que fez Bia Kicis líder de pesquisa para o Senado — chega ao dia da eleição pulverizado. Vota em dez candidatos diferentes. Elege três quando poderia ter elegido oito.
Não é falta de voto. Nunca foi. É falta de coordenação. É falta de nomes com currículo real que consigam unir o eleitor de Taguatinga com o de Sobradinho, o da asa norte com o do entorno.
A direita no DF tem o combustível. Falta o motor.
O que a matemática eleitoral revela — e assusta
O sistema proporcional da Câmara Legislativa não perdoa dispersão. As 24 cadeiras são distribuídas entre partidos e federações conforme a votação total, e preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada legenda. Isso significa que um partido bem articulado, com candidatos que se complementam em vez de se canibalizar, multiplica seus eleitos. Um partido desorganizado, mesmo com boa votação bruta, desperdiça votos no vazio. Diz o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.
A matemática não mente. O eleitor conservador pode ser traído duas vezes: na hora de escolher o candidato errado — e na hora de perceber que o voto foi para uma legenda que não cruzou o quociente.
O campo está aberto. Isso é oportunidade — ou ameaça
Na corrida pelo governo do DF, nomes como Rafael Prudente (MDB), Izalci Lucas (PL) e Fred Linhares (Republicanos) disputam espaço — o que significa que figuras de peso da atual Câmara Legislativa estão de olho em outros cargos. Sobram vagas. Faltam substitutos à altura. Poder360
É aqui que mora tanto o perigo quanto a oportunidade. Quando os titulares saem, o espaço não fica vazio — ele é ocupado. A questão é por quem.
A esquerda já sabe disso. Fábio Felix (PSol), o deputado distrital mais votado em 2022 com quase 52 mil votos, planeja deixar a CLDF para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele vai abrir espaço na Câmara Legislativa — mas vai levar consigo uma base mobilizada que tentará eleger um sucessor. Metrópoles
A direita está assistindo a esse movimento? Alguém está se preparando para ocupar o vácuo?
A transformação que o eleitorado conservador exige — e não recebe
Há uma fadiga real no eleitor de direita do DF. Não de suas convicções — essas estão mais firmes do que nunca. A fadiga é com o tipo de candidato que o campo conservador insiste em lançar: o empresário que nunca pisou numa administração regional, o pastor com boa intenção mas sem projeto, o servidor que sabe reclamar mas não sabe propor.
O eleitor conservador brasiliense em 2026 quer outra coisa. Quer alguém que conheça o Estado por dentro e queira consertá-lo, não apenas criticá-lo de fora. Quer alguém que fale de família porque vive em família — não porque é pauta de campanha. Quer alguém com currículo que resista a uma consulta no Google.
Essa transformação no perfil do candidato conservador ideal não é desejo de analista político. É o que emerge das conversas nas igrejas, nos grupos de pais de escola, nas filas das administrações regionais. O eleitorado evoluiu. Os candidatos, em muitos casos, não.
A polêmica que ninguém quer tocar
A base de apoio de Celina Leão reúne PP, União Brasil, MDB, PL, Republicanos, Podemos e outras legendas — um bloco impressionante no papel. Mas nos bastidores, essa coalizão ampla esconde uma disputa silenciosa e crescente por espaço na lista de candidatos à CLDF. Quando muitos partidos dividem a mesma base eleitoral, o resultado inevitável é a canibalização. Portal PDNews
Qual candidato vai ficar de fora? Qual partido vai ceder? Quem dentro dessa aliança tem votos reais — e quem tem apenas promessa de apoio?
Essas perguntas ninguém está respondendo em público. Mas elas estão sendo feitas, em susurro, nos corredores do Palácio do Buriti e nas sedes partidárias da Capital Federal.
A urgência que o calendário impõe
O 1º turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026. Mais de 150 milhões de brasileiros voltarão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. O prazo para registro de candidaturas se encerra em agosto. Convenções partidárias acontecem antes disso. Tribunal Superior Eleitoral
Na prática, o campo conservador do DF tem menos de 60 dias úteis de articulação real antes que as cartas estejam na mesa e não possam mais ser trocadas.
Sessenta dias. Vinte e quatro cadeiras. Um eleitorado à espera.
Quem vai aparecer?