Lula não foi à Marcha para Jesus — e a explicação que deu revela um erro gravíssimo de cálculo político
Enquanto Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes estavam no meio do povo, o presidente mandou um ministro no lugar. A justificativa que ele mesmo deu acabou sendo o maior tiro no pé da pré-campanha.
No último dia 4 de junho, feriado de Corpus Christi, a 34ª Marcha para Jesus lotou as ruas de São Paulo. Milhares de cristãos, evangélicos e católicos, saíram às ruas para celebrar a fé — e para mostrar que o Brasil que crê não some do mapa. Estava lá Tarcísio de Freitas. Estava lá Flávio Bolsonaro. Estava lá Ricardo Nunes. O presidente Lula? Mandou o ministro Jorge Messias em seu lugar.
Mas não foi a ausência que causou o maior estrago. Foi a explicação.
O que Lula disse
Em conversa telefônica com o bispo Estevam Hernandes e com o próprio Messias — publicada nas redes sociais — Lula declarou: “Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada.”
Vamos traduzir isso para o português claro que o eleitor cristão merece ouvir: o presidente admitiu, com todas as letras, que participar de um evento religioso seria, para ele, um cálculo político. Ou seja, se não há voto a ganhar — ele não vai. Se há — ele vai. A fé, na visão de Lula, é ferramenta eleitoral. E quando não serve ao propósito, melhor nem aparecer.
O curioso — e aqui está o segredo que a grande mídia preferiu esconder — é que o próprio Lula, em 2009, sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Naquela época, valia a pena. Hoje, na pré-campanha, ele avalia que não vale mais. Essa inconsistência é exatamente o tipo de comportamento que afasta o eleitor de fé — que não é bobo e percebe quando está sendo tratado como número em uma planilha de votos.
A transformação que estamos vendo é clara: o voto evangélico, que chegou a ser cortejado pelo PT nos anos 2000, migrou para o campo conservador e ali finco raízes profundas. A Marcha para Jesus 2026 foi, mais do que uma celebração religiosa, um termômetro político. E o termômetro marcou: a direita chegou, ficou, e agradeceu. A esquerda mandou recado de longe.
Para quem acompanha Brasília de perto, a leitura é simples: o governo Lula perdeu a disputa pela alma do Brasil cristão. E reconquistá-la, a menos de quatro meses das eleições, vai exigir muito mais do que um ministro enviado como representante.