ÀS VÉSPERAS DA CONVENÇÃO QUE PODE MUDAR A HISTÓRIA DO PL, MORAES FECHA O CERCO E BARRA ATÉ PRESIDENTE ESTRANGEIRO

Faltam poucas horas para a convenção nacional do Partido Liberal, marcada para este sábado (25/07) em Brasília, e o clima nos bastidores já é de tensão máxima. É nesse evento que o partido deve oficializar o nome de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. Mas o que deveria ser uma festa política virou palco de mais um capítulo da queda de braço entre a família Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes.
E o motivo pode surpreender quem não acompanha de perto os bastidores do Supremo.
Há poucos dias, Moraes negou um pedido inusitado: o presidente da Argentina, Javier Milei, havia anunciado que aproveitaria a viagem ao Brasil para a convenção do PL para visitar pessoalmente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília após cirurgia e um quadro de pneumonia bacteriana. O pedido foi apresentado pela defesa do ex-presidente. A resposta do ministro foi seca: não.
Mas o “erro” que muita gente comete é achar que a história para por aí.
O detalhe que poucos perceberam
O que praticamente ninguém comentou é que, dias antes da negativa a Milei, o próprio Moraes já havia proibido as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai. A justificativa oficial: Flávio teria divulgado nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente, o que, segundo a decisão, violaria a determinação que impede Jair Bolsonaro de fazer postagens — inclusive por meio de terceiros.
Ou seja: um filho impedido de visitar o pai. E, na sequência, um chefe de Estado estrangeiro barrado da mesma forma.
A defesa não ficou parada. No dia 20 de julho, os advogados de Bolsonaro recorreram ao STF pedindo a derrubada da proibição, argumentando que Flávio integra formalmente a equipe jurídica do ex-presidente e que ele não teria autorizado a divulgação da carta. Até a própria OAB entrou no debate, pedindo que o STF autorizasse a comunicação entre pai e filho.
A urgência que ninguém pode ignorar
Enquanto o recurso ainda não tem data para ser julgado, o calendário não perdoa: a convenção que deve consagrar Flávio como pré-candidato à Presidência acontece amanhã. E, para completar o quadro, Moraes já marcou para o dia 28 de julho — esta próxima terça — o depoimento do próprio Flávio à Polícia Federal.
Família, política e Justiça, tudo colidindo na mesma semana.
Para os apoiadores da família Bolsonaro, a leitura é direta: trata-se de mais um episódio de um cerco que já dura anos e que agora chega a limitar até o convívio familiar em um momento de fragilidade de saúde do ex-presidente. Já para o outro lado do espectro político, a decisão de Moraes é apresentada como coerente com restrições já impostas anteriormente, diante do entendimento de que a carta divulgada configuraria descumprimento de decisão judicial.
O fato é que a convenção de amanhã acontecerá sob os holofotes — e sob a mira do Judiciário.
Caixeta News vai continuar acompanhando cada capítulo dessa história direto de Brasília.