O PRAZO ACABA EM 25 DE JUNHO: O QUE VEM DEPOIS PARA BOLSONARO É A PERGUNTA QUE BRASÍLIA NÃO QUER RESPONDER

Faltam dez dias.
Em 25 de junho de 2026, vence o prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. E o Brasil inteiro — tanto quem torce por ele quanto quem deseja vê-lo de volta ao regime fechado — está esperando uma decisão que o próprio STF se recusa a anunciar com antecedência.
Isso não é acidente. É estratégia.
O que está em jogo
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em março deste ano, após ser internado com broncopneumonia grave, Moraes concedeu a domiciliar humanitária. Desde então, o ex-presidente está em casa, com tornozeleira eletrônica, sob cuidados médicos e ao lado da família.
O quadro clínico de Bolsonaro permanece delicado. Crises de soluço recorrentes, oscilações diárias de saúde, medicação no limite do que é considerado seguro — esses são os detalhes que constam nos laudos médicos enviados ao STF nesta semana. A defesa pediu prorrogação. Moraes não respondeu. Até agora, o ministro tem mantido silêncio absoluto quando questionado por interlocutores sobre qual será o próximo passo.
Esse silêncio, por si só, já é uma mensagem.
O que a imprensa grande não conta
Há uma diferença crucial que precisa ser dita: o fim do prazo de 90 dias não significa automaticamente que Bolsonaro voltará para o regime fechado. A lei permite que o magistrado avalie novos laudos, solicite nova perícia e decida com base nas condições de saúde reais do condenado. A decisão pode sair antes, no próprio dia 25, ou até depois do vencimento.
Mas há algo que me incomoda profundamente nessa história toda — e que eu, como jornalista e cidadã, não consigo ignorar.
Um homem de 70 anos, com histórico de cirurgias, com sistema imunológico comprometido, está sendo monitorado com tornozeleira enquanto o Brasil aguarda, como num espetáculo, a decisão de um único ministro — não eleito, não accountable, não revogável — sobre sua liberdade ou confinamento.
Não estou dizendo que Bolsonaro é inocente. Não é meu papel dizer isso. Estou dizendo que o poder concentrado nas mãos de um só homem para decidir o destino de outro — e de toda a narrativa política que o cerca — deveria nos preocupar, independentemente de quem seja o preso.
Por que você precisa acompanhar isso agora
A decisão sobre a domiciliar de Bolsonaro não é só sobre Bolsonaro. É sobre o sinal que o STF vai mandar a 58 milhões de eleitores que votaram nele — muitos dos quais são os mesmos que votarão em outubro de 2026.
Se a domiciliar for encerrada e ele voltar ao regime fechado, o efeito político pode ser explosivo: mártir, símbolo, combustível eleitoral para a direita. Se for prorrogada, a esquerda vai gritar privilégio.
De qualquer forma, Alexandre de Moraes vai decidir. Sozinho. Sem plenário. Sem votação. Em nome da Justiça.
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