O SENADO FECHOU A PORTA PRA LULA — E NINGUÉM TE CONTOU O TAMANHO DA CRISE

Tem silêncio que grita mais alto que qualquer discurso. E o silêncio entre o Palácio do Planalto e a Presidência do Senado já dura desde abril — sem um único encontro entre as duas figuras que decidem o destino de quase tudo que tramita em Brasília.
De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro, Davi Alcolumbre (União-AP), o homem que hoje segura, sozinho, a caneta que pode travar — ou destravar — a agenda inteira do governo. E a decisão dele, até agora, tem sido clara: não despachar.
A bandeira eleitoral que Lula não consegue nem tirar da gaveta
A PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 — uma das principais promessas que o PT queria transformar em vitrine de campanha — está parada há quase dois meses em cima da mesa de Alcolumbre. Aprovada pela Câmara em dois turnos no fim de maio, a proposta nem sequer foi despachada para a Comissão de Constituição e Justiça, etapa mínima para começar a tramitar no Senado.
Não é falta de tempo. É escolha. Alcolumbre já deixou claro a aliados que não pretende acelerar a análise — e, com o recesso batendo à porta e a campanha eleitoral começando em agosto, o cronograma que o Planalto sonhava simplesmente evaporou.
O gatilho que ninguém quer admitir publicamente
Por trás da trava, um fato que corre nos bastidores de Brasília: a relação entre os dois só desandou depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, em abril. Desde então, Lula e Alcolumbre não voltaram a se reunir. Nenhuma vez.
O resultado prático já apareceu: o Congresso encerrou os trabalhos antes do recesso sem votar os vetos presidenciais que estavam na pauta, por falta de acordo entre os parlamentares. Junto com a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública — outra prioridade do governo — também segue parada, sem despacho, sem prazo.
Dinheiro na mesa, e mesmo assim não foi suficiente
Aqui está o detalhe que mais deveria estar em toda primeira página: o governo liberou R$ 23,9 bilhões em emendas parlamentares numa tentativa explícita de recomprar a boa vontade do Congresso. Trocou também o líder no Senado — tirou Jaques Wagner e colocou Teresa Leitão na função, com a missão declarada de reconstruir a ponte com Alcolumbre.
Teresa já se reuniu duas vezes com o presidente do Senado. Recebeu elogios públicos em plenário. Discursou sobre “diálogo como método permanente”. E mesmo assim, Alcolumbre não assumiu nenhum compromisso de calendário para as pautas que o Planalto mais precisa. Nem a bilionária liberação de emendas moveu o ponteiro.
E o país sente na pele — de caminhoneiro a trabalhador comum
Enquanto isso trava lá em cima, quem sente embaixo é o cidadão. A medida provisória que garante um piso mínimo no pagamento do frete está parada no Senado, com vencimento nesta quinta-feira (16) — e categorias de caminhoneiros já ameaçam retomar paralisações em pontos do país. Mesmo diante desse risco, Lula preferiu não procurar Alcolumbre diretamente, deixando a articulação nas mãos de líderes de segundo escalão.
Faltam menos de 100 dias para as eleições. As duas maiores vitrines sociais que o PT queria levar para a campanha — a redução da jornada de trabalho e a segurança pública — estão reféns de uma briga pessoal que nem Lula nem Alcolumbre topam encerrar com uma simples reunião. Não é só sobre política de gabinete: é o piso do frete que atrasa, é a pauta que emperra, é o governo perdendo força justamente na reta final que mais importa.
O recesso começa oficialmente na próxima semana e vai até 31 de julho. Depois disso, o calendário eleitoral deve reduzir ainda mais o ritmo do Congresso. Se Lula e Alcolumbre não se sentarem à mesa logo, o que está travado hoje pode continuar travado até depois de outubro.
O Caixeta News vai seguir de perto cada movimento dessa queda de braço.