O uísque, o encontro negado e a mensagem que ninguém explica: o que o escândalo do Banco Master revelou sobre o STF

Tem detalhe nesse caso que parece roteiro de filme — aliás, ironicamente, até filme sobre política entrou na história. Mas o escândalo do Banco Master, que já é tratado como o maior rombo da história do Fundo Garantidor de Créditos, deixou de ser só uma fraude bancária para virar uma questão que toca diretamente a cúpula do Judiciário brasileiro. E o nome que mais aparece nos documentos é o do ministro Alexandre de Moraes.
Um rombo de proporções que o brasileiro comum não consegue nem dimensionar
Relembrando: o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 em meio a uma fraude que a Polícia Federal estima poder chegar a R$ 17 bilhões — com um prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos calculado em até R$ 41 bilhões, o maior já registrado pelo fundo. Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar num jato particular rumo a Dubai, com escala em Malta. Hoje está preso em penitenciária federal de segurança máxima, em Brasília.
Até aqui, um escândalo financeiro como tantos outros. O problema é o que vem depois.
O encontro que Moraes nega ter existido
O Portal Metrópoles revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria se reunido, num fim de semana do primeiro semestre de 2025, com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na casa do próprio Daniel Vorcaro — justamente no período em que o banco público de Brasília negociava a compra do Master. Moraes negou tudo, classificando a reportagem como “falsa e mentirosa”.
Não é a primeira vez que o nome do ministro aparece colado ao caso. Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado, a partir de quebra de sigilo telefônico de Vorcaro, mostram que o banqueiro construiu ao longo dos anos uma rede de relacionamentos espalhada pelos três Poderes. E há ainda o episódio do celular apreendido com Vorcaro no momento da prisão, no qual constava uma mensagem — “alguma novidade?” — atribuída ao próprio Moraes. O ministro também negou a autoria.
O escritório da família e o uísque em Londres
Antes da liquidação do banco, o escritório de advocacia que leva o nome da família do ministro prestou serviços ao Master — fato hoje sob escrutínio das investigações que tramitam no STF desde dezembro. Some-se a isso um episódio registrado em abril de 2024: um encontro para degustação do uísque Macallan em Londres, bancado pelo próprio Vorcaro, que reuniu Moraes, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal da época.
Cada peça, isoladamente, tem explicação oficial. Juntas, formam o tipo de quadro que a oposição em Brasília já usa para justificar um pedido que ganha força no Congresso: abrir uma CPI para investigar não só o Banco Master, mas, por extensão, o casal Moraes.
Por que isso importa agora
A Operação Compliance Zero já passa de seis fases, com senadores, ex-diretores de banco público e até um pastor evangélico entre os investigados — um deles morreu sob custódia da PF em circunstâncias que a própria defesa contesta até hoje. O inquérito que tramita no STF foi prorrogado mais de uma vez, sob pressão. E o nome do ministro que deveria fiscalizar o caso continua aparecendo, reportagem após reportagem, como parte da história que ele mesmo nega fazer parte.
Enquanto o Supremo julga quem errou no mercado financeiro, fica a pergunta que ninguém no Palácio quer responder: quem fiscaliza o fiscal?
Esse é um daqueles casos que precisam circular. Compartilha essa matéria e comenta: você acha que deveria haver uma CPI para investigar também o STF nesse caso?