11 pedidos de impeachment em uma semana. E o Senado segue calado

Enquanto o Supremo Tribunal Federal ainda tenta decidir se investiga ou não um dos seus próprios ministros, o povo brasileiro já deu o seu veredito. Levantamento divulgado nesta quinta-feira mostra que, entre os dias 9 e 16 de setembro, o Senado registrou 11 novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Somados aos anteriores, o ministro já acumula mais de 67 representações protocoladas contra ele só neste ano, o maior número entre todos os integrantes da Corte.
O dado que mais chama atenção não é só a quantidade, é a origem. A maior parte desses pedidos recentes não partiu de partido político nem de figura pública organizada: veio de cidadão comum, gente sem ligação direta com a política, digitando de casa um requerimento formal contra um ministro do Supremo. Isso é termômetro, não é ruído. Uma petição, inclusive, foi protocolada pelo próprio Renan Santos, hoje candidato à Presidência da República pelo partido Missão.
E o caso não parou em Moraes. Na mesma leva, o Senado também recebeu um novo pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, e mais quatro representações formais contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, justamente por ele não estar dando andamento aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Ou seja: o problema já não é só o comportamento de Moraes, é a própria engrenagem do Congresso que parece ter decidido, silenciosamente, não mexer em time que está ganhando.
É bom lembrar o pano de fundo dessa avalanche: a onda de pedidos disparou depois que veio à público a proximidade do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do falido Banco Master, incluindo troca de mensagens, encontros e um contrato milionário fechado com o escritório de advocacia da própria esposa dele. Só que, mesmo depois da sessão extraordinária de terça-feira, o próprio plenário do STF terminou sem decidir se abre ou não uma investigação formal contra o colega. Enquanto isso, no Senado, cabe hoje a um único homem, o presidente Davi Alcolumbre, decidir sozinho se mais de 60 pedidos de impeachment sequer chegam a ser analisados.
Para ser justo com o leitor: nenhum desses pedidos, por si só, significa que o ministro será afastado. O rito de impeachment de ministro do Supremo é raro, complexo, e depende inteiramente da vontade política de quem preside a Casa. Mas o volume e a origem popular desses pedidos mostram algo que nenhuma nota oficial consegue esconder: parte relevante da sociedade brasileira já não confia no julgamento que o próprio Supremo faz de si mesmo.
Fica a pergunta que a família brasileira devia fazer em voz alta: quantos pedidos mais serão necessários para que alguém, dentro das instituições, tenha coragem de simplesmente abrir o processo e deixar o Congresso votar?