Michelle lidera, e a direita pode levar as duas vagas do DF no Senado

Enquanto a atenção do país inteiro segue voltada para a crise no STF, tem uma disputa acontecendo dentro de casa, aqui no Distrito Federal, que decide diretamente quem vai representar Brasília em Brasília. E os números que saíram nos últimos dias merecem atenção de qualquer família conservadora do DF.
O Datafolha divulgado nesta segunda-feira confirma Michelle Bolsonaro (PL) na liderança da corrida ao Senado pelo Distrito Federal, com 21% das intenções de voto, alta de dois pontos em relação à rodada anterior. Atrás dela vem a senadora Leila do Vôlei (PDT), com 18%, seguida por Bia Kicis (PL), que subiu de 11% para 15%, e a deputada Erika Kokay (PT), com 14%. Considerando a margem de erro de três pontos, Leila, Bia Kicis e Kokay estão tecnicamente empatadas entre si.
Aqui está a transformação que pouca gente tinha percebido: no recorte do segundo voto, quando o eleitor escolhe seu segundo nome para a segunda cadeira do Senado, Bia Kicis assumiu a ponta, saltando de 14% para 21%. Ou seja, juntando o desempenho de Michelle no primeiro voto com o crescimento de Bia Kicis no segundo, o Distrito Federal caminha para um cenário raro: as duas vagas do Senado indo inteiras para o mesmo partido, o PL, representando o campo conservador.
Vale o segredo que poucos comentam: as duas cadeiras em disputa pertencem hoje a Izalci Lucas e Leila do Vôlei. Izalci, inclusive, retirou sua pré-candidatura ao Senado em julho, depois de um racha dentro do próprio PL, que priorizou apoiar a reeleição de Celina Leão (PP) ao governo do DF. Resultado prático: Izalci mudou de rota e decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, engordando ainda mais uma disputa que já está das mais concorridas do país.
E é aqui que mora o erro comum de quem só acompanha a disputa pela Presidência: esquecer que a Câmara Legislativa do DF, a chamada distrital, é quem decide de perto assuntos de saúde, educação e segurança na cidade. Neste ano, 420 candidatos disputam apenas 24 vagas de deputado distrital, uma média de 17,5 candidatos por cadeira, a maior concorrência proporcional entre todos os estados do país. Para deputado federal, outros 164 nomes brigam por 8 vagas que representam o DF em Brasília. É um volume de opções gigantesco, e também de risco de o voto conservador se dividir e perder força justamente pela pulverização de candidaturas.
Fica o alerta de urgência: com a eleição marcada para 4 de outubro e quase metade do eleitorado do DF, 49%, ainda dizendo que não decidiu em quem votar, cada conversa de família, cada voto bem informado entre agora e a urna pode ser o que garante, ou não, que o campo conservador tenha maioria consistente representando o Distrito Federal no Senado, na Câmara Federal e na Câmara Distrital pelos próximos quatro a oito anos.