Desde 2018, o STF sempre pesa mais que o voto. 2026 não é diferente

Tem um padrão que se repete a cada eleição presidencial brasileira desde 2018, e ele voltou a se confirmar em 2026: sempre que o país chega perto de decidir seu presidente nas urnas, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, ou de um ministro isoladamente, acaba pesando mais na balança do que os próprios votos.
Vale relembrar a linha do tempo para quem só está acompanhando agora. Em 2018, foram dois episódios decisivos: a divulgação de uma escuta telefônica entre Dilma Rousseff e Lula, usada para barrar a posse dele na Casa Civil, e a manutenção da tese da “execução da pena após condenação em segunda instância”, aprovada pela Corte por apenas um voto de diferença, seis a cinco. Foi essa segunda decisão que permitiu a prisão de Lula meses antes da eleição daquele ano, tirando-o da disputa.
Em 2022, o padrão trocou de lado: decisões do STF sobre bloqueio de perfis, censura de conteúdo e multas a candidatos ficaram no centro da campanha, movimentando o debate político praticamente até a véspera da votação.
E 2026? Segue firme no mesmo roteiro, só que agora com um ingrediente novo: não é mais uma decisão isolada contra um candidato, é uma crise que atinge a própria credibilidade da Corte. O caso Banco Master, com mensagens ligando ministros do STF, o procurador-geral da República e até o presidente do Senado ao banqueiro Daniel Vorcaro, já foi descrito por analistas políticos como algo que “contaminou” a campanha inteira, tirando o foco de propostas de governo para emprego, saúde, segurança e educação.
Para ser justa com o leitor: nem toda decisão do Judiciário em ano eleitoral é abusiva, e fiscalizar o comportamento de autoridades é função legítima das instituições. O problema, segundo especialistas ouvidos por diferentes veículos, é o timing: quando a crise explode nas últimas semanas antes da urna, o eleitor perde tempo de avaliar propostas concretas e vota mais pela indignação do momento do que pelo plano de governo.
Fica a reflexão para este sábado, com a família reunida: se o padrão se repete a cada eleição desde 2018, talvez o problema não seja mais um ministro isolado, mas a forma como o próprio Supremo se posiciona, ano após ano, bem no centro da disputa que deveria ser decidida só pelo voto.