O Senado que pode julgar Moraes: direita mira até 35 cadeiras

Enquanto todo mundo discute quem vai ganhar a Presidência, tem uma eleição rolando em paralelo, quase no silêncio, que pode pesar tanto ou mais no futuro do país: a disputa pelo Senado. Neste ano, 54 das 81 cadeiras da Casa estão em jogo, duas por estado e duas pelo Distrito Federal, e as projeções mais recentes, divulgadas nesta semana, apontam vantagem expressiva da direita e da centro-direita num número relevante de estados.
Aqui está a autoridade que pouca gente lembra na hora de votar: não é só o presidente que decide o rumo do país. É o Senado que confirma ou barra indicações para o Supremo Tribunal Federal, aprova nomes para o Banco Central e para a Procuradoria-Geral da República, e, olha só, é a própria Casa que julga processos de impeachment de ministros do STF. Justamente o tipo de processo que, depois de semanas de revelações envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, já soma dezenas de pedidos formais protocolados.
As projeções mais recentes colocam o campo da direita e centro-direita numa faixa de 29 a 34 cadeiras entre as 54 renovadas, podendo chegar a 35 se houver uma onda conservadora forte na reta final da campanha. Isso muda completamente a equação de poder no Congresso a partir de 2027, inclusive na hora de decidir se um pedido de impeachment contra um ministro do Supremo anda ou fica engavetado.
E o Distrito Federal está bem no centro dessa disputa. Como o próprio nome já mostra na coluna dos últimos dias, Michelle Bolsonaro lidera as pesquisas para uma das duas vagas do DF no Senado, com Bia Kicis crescendo forte para a segunda cadeira, enquanto Leila Barros (PDT) e Erika Kokay (PT) tentam segurar o campo governista. Se as duas vagas do DF ficarem com o PL, Brasília manda para o Senado uma bancada alinhada com a pauta de impeachment de ministros do STF, segurança pública e oposição ao governo Lula.
Para ser justo com o leitor: nenhuma dessas projeções está fechada. Historicamente, boa parte do eleitorado só decide o voto para o Senado na última semana antes da eleição, e a disputa pelas segundas vagas segue muito aberta em vários estados. Mas o recado já está dado: quem vota pensando só na Presidência está deixando de decidir metade da equação de poder que vai definir se o Brasil terá, ou não, um Congresso capaz de fiscalizar de verdade o Judiciário nos próximos anos.
Fica o alerta para a família brasileira nesta reta final: você tem dois votos para senador. Use os dois com a mesma atenção que usa o voto para presidente, porque é esse Senado que vai decidir, entre outras coisas, o destino dos pedidos de impeachment que hoje se acumulam contra ministros do Supremo.