Lula e Flávio empatados até na rejeição. O país cansou dos dois extremos?

A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana trouxe um número que merece ser discutido à mesa, neste domingo, em qualquer casa brasileira. Lula e Flávio Bolsonaro empataram não só na disputa pelo primeiro lugar, mas também no índice de rejeição: 47% dos eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum em cada um dos dois. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de dois pontos.
Aqui está o dado que muita gente não percebeu de cara: essa rejeição de quase metade do eleitorado não é novidade recente. Há duas semanas, Flávio tinha 47% e Lula, 45%. Na rodada seguinte, os dois foram a 46%. Agora, empatam de novo em 47%. Ou seja, o desgaste é persistente, dos dois lados, mesmo com toda a movimentação de campanha das últimas semanas.
E é aí que mora a transformação silenciosa dessa eleição: enquanto os dois nomes mais fortes carregam praticamente metade do país dizendo “não voto nesse de jeito nenhum”, os demais presidenciáveis aparecem com índices bem menores. Renan Santos soma 15% de rejeição, Romeu Zema 14%, e Ronaldo Caiado 13%, o menor entre os principais nomes testados. São números que mostram espaço real para quem consegue se apresentar como alternativa ao confronto Lula x Flávio, sem carregar o desgaste acumulado dos dois lados mais polarizados.
Para ser justo com o leitor: rejeição não é o mesmo que intenção de voto, e os dois seguem na frente da corrida, tecnicamente empatados também no primeiro turno, 39% a 36%. Mas o dado da rejeição funciona como termômetro de desgaste, e mostra que boa parte do eleitorado brasileiro, incluindo gente de família, valores conservadores, e cansada de polarização, está de olho em quem consegue romper esse empate de rejeições.
Fica a reflexão de domingo, com tempo de conversar em casa: o campo conservador vai insistir num nome que já carrega quase metade do país dizendo “nunca”, ou vai olhar com mais atenção para quem está crescendo justamente por rejeitar menos e unir mais?