Já são três ministros. Agora é Nunes Marques: R$427 milhões e favores de Carnaval

O dia começou cedo para Flávio Bolsonaro. Desde as 9h desta quarta-feira, o candidato à Presidência promove uma verdadeira maratona de lives, reunindo aliados de vários estados, entre eles o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, e candidatos ao Senado de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O assunto central: a crise no Supremo Tribunal Federal. Flávio não poupou palavras, classificando parte dos ministros da Corte como “laranjas podres” e citando nominalmente Alexandre de Moraes como o principal responsável pelo descrédito da instituição.
Só que, enquanto a live corria, uma nova revelação tornava o discurso ainda mais atual. Documentos encontrados pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do falido Banco Master, mostram que não são dois, mas três os ministros do STF ligados à teia de mensagens do banqueiro. O nome mais recente: Kassio Nunes Marques.
Segundo o relatório enviado ao STF, o Banco Master fechou uma minuta de contrato com o escritório da advogada Camilla Ramos, casada com o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, prevendo honorários de até R$427 milhões em ações que poderiam destravar R$8,5 bilhões em precatórios de interesse do banco. Nas mensagens, assessores de Vorcaro chamavam o grupo de “turma do KN”, numa referência direta a Kassio Nunes. Os registros mostram ainda pedidos de hospedagem no hotel Fasano, o aluguel de uma mansão no Rio de Janeiro para o Carnaval de 2025, no valor de R$1,45 milhão pela semana, e a organização de uma viagem de dez dias para cinco pessoas em jato particular.
O detalhe que fecha o quadro: o próprio Kassio, junto com Dias Toffoli e Edson Fachin, votou favoravelmente ao reconhecimento da dívida no julgamento que interessava a Vorcaro, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Ou seja, o ministro apontado nas mensagens como beneficiário de favores também foi voto decisivo num julgamento de bilhões de reais de interesse direto do banqueiro.
De volta à live de hoje, o momento mais aguardado veio quando perguntaram a Flávio sobre esse mesmo contrato entre o entorno de Nunes Marques e Vorcaro: o candidato respondeu que “não sabia” do caso. Ainda assim, reforçou o discurso de reformular a Corte, afirmando que, se eleito, poderá indicar entre quatro e seis novos ministros ao Supremo, considerando aposentadorias já previstas, sempre reforçando que qualquer indicação vai depender da aprovação do Senado.
Para ser justo com o leitor: Kassio Nunes Marques nega publicamente ter pedido qualquer coisa a Vorcaro, trocado mensagens diretamente com ele, ou autorizado terceiros a falar em seu nome. Nenhum dos três ministros citados nas investigações, Moraes, Mendonça (como revelador) e agora Nunes Marques, foi condenado ou formalmente investigado até o momento.
Mas fica a pergunta que ecoa pela terceira vez em poucas semanas: quantos ministros mais precisam aparecer na agenda do mesmo banqueiro preso para que o país entenda que o problema não é um nome isolado, é um padrão? Faltam 11 dias para o primeiro turno, e a crise dentro do STF virou, de fato, tema de campanha.