R$5 bilhões e uma “organização criminosa” no TRF-1 de Brasília

O escândalo do Banco Master ganhou nesta última terça-feira mais uma camada, e ela mexe direto com o dinheiro público administrado aqui em Brasília. O ministro Flávio Dino, do STF, enviou ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a identificação de todos os precatórios pagos de forma irregular nos últimos anos, com base em indícios de fraude ligados ao Master.
O caso gira em torno do TRF-1, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado na própria capital federal. Segundo Dino, há evidências de ilegalidades na emissão de precatórios do setor sucroalcooleiro, títulos que depois teriam sido comprados pelo banco. A Advocacia-Geral da União já pediu o cancelamento de precatórios que somam cerca de R$5 bilhões emitidos por esse mesmo tribunal.
O ministro foi direto ao ponto num trecho do ofício: não basta cancelar alguns precatórios, é “dever legal apurar todos os indícios de atuação de uma organização criminosa” que, segundo ele, opera há anos no recebimento irregular desses valores, rastreando fundos, responsáveis e cadeias de cessão de crédito. Gilmar Mendes, decano da Corte, reforçou o coro nesta terça, cobrando avanço nas investigações criminais envolvendo membros do próprio Judiciário e da advocacia.
Fachin respondeu no mesmo dia, em sessão do CNJ, prometendo mais “segurança, transparência e rastreabilidade” no mercado de precatórios. Na semana passada, o corregedor nacional de Justiça já havia determinado o cancelamento de R$4,7 bilhões em precatórios de usinas que negociaram títulos com o Master.
Para ser justa com o leitor: ainda não há nomes de magistrados formalmente indiciados nesse capítulo específico, e Fachin classifica o momento como de “avanço”, não de crise. Mas juntando as peças das últimas semanas, ministros do STF, o procurador-geral, o presidente do Senado e agora um tribunal inteiro de Brasília aparecem, cada um a seu modo, dentro do raio de alcance do mesmo banco falido.
Fica o alerta para quem mora na capital: enquanto a política nacional discute a corrida presidencial, é bem aqui, no TRF-1, a poucos quilômetros de qualquer casa em Brasília, que bilhões de reais públicos estão sendo rastreados. Vale acompanhar de perto.