ESTADO MENOR OU ESTADO MAIOR? OS PLANOS DE FLÁVIO E LULA LADO A LADO

A seis dias da urna, com a pesquisa Nexus mostrando empate técnico, vale fazer o que muito eleitor ainda não fez: ler o que cada candidato promete de fato. Esta coluna defende Flávio Bolsonaro (PL), e deixa isso claro. Mas o leitor merece os dois planos na mesa, com os pontos fortes e as lacunas de cada um.
O plano de Flávio (76 páginas, nove eixos) parte de uma aposta: um Estado mais enxuto para o país crescer 4% ao ano por dez anos, o dobro da média das últimas duas décadas. O “tesouraço” prevê corte de gastos, redução de pelo menos 10 ministérios, de cargos comissionados e de supersalários. Na economia, retomar privatizações, reduzir o IVA, cortar tributos sobre energia e combustíveis, reduzir encargos sobre a folha e criar um contrato de primeiro emprego para jovens de 18 a 24 anos. Na infraestrutura, R$ 900 bilhões em quatro anos. Na moradia, 2,5 milhões de casas pelo Casa Verde e Amarela. Na segurança, tratar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, criar mais de 500 mil vagas prisionais, reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos e acabar com a saidinha. Na educação, alfabetização fônica, voucher para creche privada e mais escolas cívico-militares. Na saúde, prontuário único, telemedicina, IA no SUS e Cláudio Lottenberg indicado para o ministério.
O plano de Lula (84 páginas) aposta em continuidade e na presença do Estado. Mantém o arcabouço fiscal, reforça a Nova Indústria Brasil e o Novo PAC, e traz a bandeira mais popular da campanha: o fim da escala 6×1, com jornada de 40 horas sem redução salarial, proposta que já passou pela Câmara e aguarda o Senado. A Petrobras voltaria a distribuir combustíveis e ampliaria o refino. Na segurança, um Ministério da Segurança Pública, condicionado à PEC, R$ 10 bilhões para estados e municípios, câmeras corporais e controle de armas. Na educação, 80% das crianças alfabetizadas na idade certa, tempo integral e Pé-de-Meia. Na saúde, exames no Farmácia Popular e IA no SUS. No ambiente, desmatamento líquido zero até 2030.
Onde cada plano é frágil. O de Flávio tem números que vieram de entrevistas e não do documento protocolado no TSE, como a meta de R$ 190 bilhões em cortes. A alíquota do IVA também não é fixada no plano, e há versões diferentes ditas em momentos diferentes. Críticos apontam ainda o licenciamento ambiental mais flexível e a ampliação do petróleo e gás, além de dúvidas sobre o alcance das privatizações, já que o texto não cita empresas. O de Lula não traz orçamento consolidado, não estima o custo da jornada de 40 horas, não fixa meta para os juros e não diz quais benefícios tributários seriam revistos. A promessa de combater privilégios fica sem endereço.
O que separa os dois, no fundo, é uma pergunta: o país deve crescer com um Estado menor, privatizações e segurança mais dura, ou com um Estado mais presente, estatais fortes e proteção ampliada ao trabalhador? No quadro a seguir, o leitor encontra os dois lados, tema por tema. Compare, tire as próprias conclusões e leve a decisão para a urna no dia 25.
