CELINA APOSTA EM OBRAS, GRASS QUER ACABAR COM O BRB

A três semanas da decisão mais importante para o futuro do Distrito Federal, o contraste entre os dois projetos em disputa não poderia ser mais claro.
Celina Leão (PP), que assumiu o governo em março após a saída de Ibaneis Rocha e chegou ao primeiro turno com expressivos 49,93% dos votos — a um fio da vitória direta —, constrói sua campanha de segundo turno em cima de entregas concretas: ampliação do Passagem Livre para a população de baixa renda, extensão da Linha 1 do metrô e início das obras da Linha 2 até o Gama, novas UPAs e o programa DF 360, que promete integrar inteligência artificial à gestão pública. É o discurso de quem pede para continuar fazendo o que, segundo ela, já está funcionando.
Do outro lado, Leandro Grass (PT), que somou 34,47% no primeiro turno e chega ao segundo turno com apoio direto de nomes do governo federal, aposta na crítica às filas da saúde e na proposta “Saúde Sem Espera”, prometendo consultas em até 30 dias. Mas é outra bandeira da campanha de Grass que deveria acender o alerta de todo brasiliense que paga suas contas e confia nas instituições locais: o candidato defende abertamente o fim da privatização do BRB, o banco público do Distrito Federal — justamente a instituição que, nos últimos meses, esteve no centro de suspeitas envolvendo o colapso do Banco Master e um rombo bilionário em precatórios que ainda precisa ser totalmente esclarecido. Trocar a gestão de quem está, agora, tentando organizar a casa por um projeto alinhado ao Planalto que quer reverter essa agenda é um risco que o DF não pode se dar ao luxo de correr às cegas.
A disputa é legítima e os dois lados têm o direito de apresentar seus projetos ao eleitor. Mas entre a continuidade de uma gestão que entrega obra e mostra resultado, e um projeto que chega “com apoio direto do governo federal” para mudar as regras do jogo no banco público do Distrito Federal, a escolha do brasiliense em 25 de outubro vai muito além de quem governa o Buriti — é sobre que tipo de Brasília queremos construir dali para frente.