LULA ADMITE SURPRESA E PT JÁ TRABALHA COM DERROTA

Vinte e quatro horas depois do resultado que nenhuma pesquisa anteviu, nem o próprio Palácio do Planalto conseguiu esconder o choque. Em declarações públicas neste domingo, Lula classificou o resultado do primeiro turno de “inesperado” — palavra que, vinda de quem é candidato à reeleição, diz muito mais do que parece.
Por trás das cortinas, a notícia que circula é ainda mais reveladora: setores da cúpula do PT já discutem abertamente um cenário de derrota no segundo turno, um movimento que normalmente só aparece quando os próprios números internos do partido confirmam o que as ruas já sentiam.
Enquanto isso, o entorno de Flávio Bolsonaro vive outro clima. Michel Temer, ex-presidente e uma das vozes mais respeitadas do centro político brasileiro, declarou apoio público a Flávio para o segundo turno — um aceno que pode pesar na disputa pelo chamado “centro” do eleitorado. Lideranças de diversos países já enviaram mensagens de parabéns pelo resultado do primeiro turno, numa sinalização incomum neste estágio do processo eleitoral, mas que reforça o tamanho do resultado de quinta-feira.
No plano institucional, o quadro eleitoral de outubro segue aberto: sete estados mais o Distrito Federal disputam segundo turno para o governo no dia 25, incluindo a disputa direta entre Celina Leão e Leandro Grass aqui no DF. Nada está garantido — nem para um lado, nem para o outro — e é exatamente por isso que os próximos vinte dias vão definir o que o Brasil será na próxima década.
O que ficou claro depois do primeiro turno é que a “certeza” vendida pelas pesquisas durou menos de 48 horas. A pergunta que fica é: quantas outras certezas construídas sobre a mesma areia vão desmoronar até o dia 25?