Faltam dois dias: último debate e pesquisa apertam a corrida entre Flávio e Lula

Hoje termina a propaganda. À noite, termina o silêncio.
Hoje é 23 de outubro. Faltam dois dias para o segundo turno, e a eleição presidencial entra em sua fase mais decisiva. Esta sexta-feira marca o último dia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. À noite, depois do Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participam do último debate da campanha, transmitido pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay.
Não haverá outro grande palco nacional antes da urna. Cada resposta poderá alcançar o eleitor que ainda está indeciso, confirmar uma escolha ou expor uma fragilidade. O debate não muda sozinho uma eleição, mas pode definir a conversa das últimas horas.
A pesquisa que movimentou Brasília
Levantamento Realtime Big Data divulgado nesta manhã mostra Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. O número coloca o candidato do PL à frente numericamente, mas dentro da margem de erro: a pesquisa ouviu 2.000 pessoas por telefone entre 19 e 22 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-09670/2026. Portanto, o cenário é de empate técnico.
A leitura responsável é simples: a disputa está aberta. A leitura apressada — e perigosa — seria tratar 52% como vitória antecipada. Pesquisa mede intenção no momento da coleta. Quem decide é o eleitor, na urna, no domingo.
Ainda assim, o levantamento tem peso político. Ele mostra que a direita chega ao último debate competitiva e com espaço para consolidar sua mensagem. Também mostra que não há lugar para acomodação. Quatro pontos nominais não são quatro pontos garantidos.
O último teste para a direita
Para quem defende um governo de direita, o debate desta noite será mais do que uma disputa de frases de efeito. Será uma oportunidade para apresentar uma agenda de segurança, liberdade, família, trabalho, responsabilidade fiscal e respeito às instituições.
A direita precisa falar com o eleitor que está preocupado com o preço no mercado, a violência na rua, o futuro dos filhos e a dificuldade de empreender. Precisa mostrar que ordem não é autoritarismo, que liberdade não é licença para mentir e que responsabilidade no governo também significa reduzir desperdícios e entregar serviços.
O erro comum da reta final é confundir barulho com força. Ataque pessoal pode render corte de vídeo, mas não substitui proposta. O eleitor que ainda não decidiu quer saber quem terá condições de governar, quem aceitará ser fiscalizado e quem respeitará o resultado das urnas.
O que estará em jogo no debate
De acordo com O Globo, o encontro terá quatro blocos. Três terão temas determinados e um será de tema livre. A dinâmica prevê perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, além das considerações finais. O debate começa às 21h30, logo após o Jornal Nacional.
Com pouco tempo até a votação, os candidatos deverão responder sobre segurança, economia, saúde, educação, programas sociais e o papel do Estado. Também será inevitável a discussão sobre transparência: as campanhas chegaram ao TSE nesta semana a um acordo para autorizar a abertura simultânea de sigilos dos candidatos, familiares e empresas relacionadas, com divulgação pública dos dados após o fornecimento pelos órgãos competentes.
Esse acordo não é uma condenação de ninguém. É um compromisso político que ainda depende da entrega e da análise dos documentos. O eleitor deve cobrar transparência, mas também deve esperar prova, não apenas suspeita.
A batalha invisível continua nas redes
Enquanto a televisão chega ao último programa, a disputa digital permanece sob pressão. O TSE cobra explicações sobre o funcionamento de inteligência artificial e sobre alegações de tratamento desigual nas redes. A questão envolve Meta e X e ocorre no mesmo momento em que as campanhas disputam cada publicação, cada anúncio e cada possibilidade de alcance.
A regra para o eleitor é a mesma: não compartilhar conteúdo só porque confirma aquilo que ele já pensa. A direita não precisa de notícia inventada para vencer. Precisa de voto consciente, mensagem clara e mobilização legal.
Dois dias não são lugar para desânimo
A pesquisa mostra empate técnico. O calendário mostra que a propaganda oficial termina hoje. O debate final oferece a última oportunidade de confronto direto. O cenário, portanto, não é de eleição resolvida. É de decisão em aberto.
Quem deseja colocar a direita no poder precisa fazer a sua parte sem violência, sem fraude e sem desrespeitar o adversário. É preciso conversar com quem ainda está indeciso, conferir as propostas, explicar as prioridades e lembrar que o voto é secreto.
Hoje é dia 23. Faltam dois dias. A pergunta não é quem ganhou a pesquisa da manhã. A pergunta é quem conseguirá convencer o eleitor até domingo.
A direita chega viva à reta final. Agora precisa chegar preparada, responsável e presente na urna.