Globo cancela último debate. Flávio denuncia censura

A reta final da campanha presidencial ganhou, na noite desta quinta-feira, um capítulo que resume bem o clima dos últimos dias: o último grande debate antes do primeiro turno, marcado pela TV Globo para as 21h30, simplesmente não aconteceu. No horário em que deveria estrear o confronto entre os presidenciáveis, a emissora exibiu um capítulo da novela “Quem Ama, Cuida”.
O estopim veio horas antes: a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir de forma destacada um púlpito vazio identificado com o nome de Lula, caso o presidente não comparecesse, e também vetou que os candidatos presentes fizessem perguntas direcionadas a ele. Flávio Bolsonaro, que até então confirmava presença mesmo sem a certeza de que Lula apareceria, anunciou sua desistência cerca de duas horas antes do horário marcado: “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, escreveu nas redes.
Pouco depois, Lula também confirmou que não participaria, e a Globo, sem os dois principais nomes da disputa, cancelou o debate por completo. Associações de classe de jornalistas chegaram a se manifestar em solidariedade à emissora, classificando a decisão judicial como uma “intervenção” indevida sobre regras que já haviam sido definidas antes do evento.
Na sequência, Flávio foi ao Instagram fazer uma live, onde classificou o episódio como “censura no mais alto grau” e aproveitou o momento para pedir “voto útil” no primeiro turno, numa tentativa de consolidar o eleitorado conservador que ainda hesita entre ele e outros nomes de direita e centro.
Para ser justa com o leitor: a história tem mais de um ângulo. O pré-candidato Renan Santos (Missão) saiu nas redes culpando tanto Lula quanto Flávio pelo cancelamento, argumentando que ambos preferiram evitar o confronto direto justamente na semana mais decisiva da campanha, escondendo-se atrás da polêmica jurídica. Augusto Cury e Ronaldo Caiado, que também estavam confirmados, ficaram sem espaço para debater, mesmo prontos para aparecer.
Fica o registro que interessa à família brasileira faltando só dois dias para a urna: o eleitor perdeu a última chance de ver, lado a lado, ao vivo e sem filtro, os nomes que podem governar o país pelos próximos quatro anos. Resta à cabine de votação, no domingo, dar a palavra final sobre quem realmente tinha o que mostrar.