PRIMEIRO DEBATE: SEGURANÇA, SUS E CASO MASTER DOMINAM O CONFRONTO

O primeiro confronto direto do segundo turno aconteceu neste domingo na Band, com interrupções frequentes, provocações pessoais e pouca cerimônia dos dois lados. Quem esperava um debate de gabinete, não teve.
Na segurança pública, o terreno que a direita considera seu, Flávio Bolsonaro (PL) foi direto: classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e construir mais de meio milhão de vagas no sistema prisional. “Esses marginais vão ficar presos”, disse. Também defendeu mudar a Constituição para reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos e acabar com a saída temporária. Lula (PT) respondeu cobrando apoio do senador à PEC da Segurança, afirmou que os estados fracassaram sozinhos e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública se o Senado aprovar a proposta.
Na saúde, Flávio defendeu o prontuário eletrônico único, a telemedicina e o uso de inteligência artificial no SUS, e anunciou o nome de Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde. Lula perguntou se a proposta levaria à privatização do SUS. Na economia, o presidente destacou o MEI e a Nova Indústria Brasil; Flávio atribuiu o endividamento das famílias aos gastos do governo federal e propôs que o poder público compre dívidas de bancos para renegociá-las.
O debate também teve os momentos mais duros. Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões negociados com Daniel Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, e Flávio respondeu que o dinheiro foi para “o filme do melhor presidente do Brasil”, além de lembrar reunião de Lula com Vorcaro em dezembro de 2024. Lula também questionou ligações de empresas de Flávio com o chamado “Careca do INSS”, o que Flávio negou, devolvendo: “A sua campanha está sendo a base da mentira.” Flávio, por sua vez, levou ao ar o caso da empresária Roberta Luchsinger e cobrou explicações sobre o filho de Lula; o presidente disse que o filho abriu os sigilos bancário e telefônico e desafiou os dois a abrir os sigilos das famílias.
Sobre a pandemia, Flávio fez um mea culpa em relação a falhas na área da saúde, mas defendeu o pai. Sobre a escala 6×1, explicou que mudou de posição depois de ouvir trabalhadores.
É justo dizer: houve acusações pesadas nos dois sentidos, e quem assistiu com atenção viu perguntas sem resposta de ambos os lados. Quem venceu o debate, só a urna vai dizer. Sete dias.